A
influência dos lipídeos e proteínas no sistema
imunológico
Fonte:
Colaborador: André Costa
Proteínas,
carboidratos, lipídeos, vitaminas e sais minerais são
nutrientes essenciais para a manutenção e o crescimento
dos seres humanos. Desta forma, alterações qualitativas
e quantitativas nesses nutrientes podem afetar significativamente
as funções do sistema imune.
Os diversos componentes do sistema imune, como linfócitos
e macrófagos, quando ativados, são metabolicamente
muito ativos, sintetizando e secretando moléculas que estão
envolvidas na interação célula-a-célula.
Assim, uma deficiência ou excesso de nutrientes específicos
pode influenciar a síntese dessas moléculas, alterando
dessa forma a regulação da imunidade.
A
desnutrição causa efeitos especificamente significativos
sobre o sistema imune (imunidade mediada por célula - CMI,
fagocitose, sistema complemento, etc.), que pode ter efeitos de
longa duração, reversíveis ou irreversíveis,
dependendo de sua severidade e duração. Sabe-se que
na desnutrição calórico-proteíca severa,
a resposta humoral e a produção de anticorpos podem
retornar a um nível normal após o indivíduo
ter mantido uma dieta adequada, mas a deficiência da CMI pode
persistir. Durante a gestação, se a mãe apresentar
um quadro de deficiências nutricionais intra-uterinas, o recém-nascido
pode apresentar quadro de debilidade quanto à sua capacidade
de responder a infecções ao nascimento, tanto na imunidade
humoral quanto a mediada por célula.
LIPÍDEOS
- Os ácidos graxos são os blocos de construção
de várias classes de lipídeos, os quais fazem parte,
em diferentes graus, dos componentes das membranas celulares. A
fluidez dessas membranas é regulada, até certo ponto,
pelo seu conteúdo de colesterol, assim como a manutenção
da integridade estrutural e funcional da célula. Os ácidos
graxos podem ser saturados ou insaturados. Para o sistema imune,
o ácido graxo insaturado mais relevante é o ácido
araquidônico, uma vez que as prostaglandinas, derivadas deste
ácido graxo (omega-3 e omega-6), desempenham um papel importante
na imunorregulação, tal como na proliferação
de célula T e na função de células NK.
Também tem sido sugerido que, como os ácidos graxos
poliinsaturados ácido araquidônico e ácido linoléico
são precursores de prostaglandinas, a produção
excessiva dessas moléculas imunorreguladoras pode suprimir
as funções de células T e NK.
Os
lipídeos são precursores de vitaminas A, D, E e K,
bem como do colesterol. A biossíntese dessas vitaminas e
colesterol é afetada pela presença de lipídeos
exógenos e colesterol. Em estudos in vitro, constatou-se
que altos níveis de colesterol suprimem a função
imunológica pela inibição da síntese
de colesterol, necessária para o funcionamento normal das
células imunes. Um excesso de ácidos graxos poliinsaturados
na dieta é altamente imunossupressor, pois podem influenciar
a fluidez de membrana e, conseqüentemente, a distribuição
e função de receptores da superfície celular.
Efeitos
dos ácidos graxos sobre as funções imunológicas:
1) Poliinsaturados - quando em deficiência podem causar redução
da resposta humoral tanto para antígenos dependentes como
independentes da célula T; diminuição da fluidez
de membrana. Já em excesso podem promover imunossupressão,
resposta diminuída de linfócitos a mitógenos
e antígenos, atividade quimiotática e fagocítica
de neutrófilos reduzida.
2) Saturados - quando em excesso foi observada inibição
in vitro de resposta de linfócitos a alguns antígenos
e mitógenos.
3) Colesterol - quando em excesso observa-se a inibição
da hipersensibilidade cutânea e humoral a antígenos;
função de linfócitos e de macrófagos
reduzida.
AMINOÁCIDOS
- As funções das proteínas da dieta, após
serem absorvidas pelo intestino e transformados em aminoácidos,
são três: anabolismo (síntese de proteínas
e polipeptídeos; catabolismo ou degradação,
produção de energia e síntese de compostos
de pequeno peso molecular. Por essas vias os aminoácidos
servirão na construção e manutenção
dos tecidos, formação de enzimas, hormônios,
anticorpos, no fornecimento de energia e na regulação
de processos metabólicos.
Dentre
os aminoácidos, a glutamina é o mais abundante no
plasma e na reserva de aminoácidos livres totais do organismo
e é considerado substrato-chave para os linfócitos,
macrófagos e células NK. O metabolismo da glutamina
em células do sistema imunes realiza dois papéis principais:
fonte de energia via oxidação e precursor para purinas
e pirimidinas na síntese de nucleotídeos. Alguns estudos
in vitro descrevem que as respostas das células mitogênicas
T e B, a produção de interleucinas 1 e 2, síntese
de anticorpos e a capacidade fagocitária do macrófago
dependem do nível de glutamina. Isto posto, uma redução
do nível de glutamina no plasma pode causar depreciação
da função imune, comprometer a resposta às
rejeições imunes e aumentar o risco de infecção,
conferindo a glutamina propriedade específicas imunoestimulatórias.
CONCLUSÃO
- Diante deste contexto, devemos ressaltar que a distribuição
dos macronutrientes na dieta têm influencia direta não
somente sobre os parâmetros estéticos ou de performance,
mas sobretudo importância fundamental no aspecto saúde.
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