Bebidas
Estimulantes Mascaram a Fadiga
"Seja para garantir horas extras de estudo durante a madrugada
ou para curtir com disposição uma festa badalada,
as bebidas energéticas estão conquistando a população,
sobretudo das faixas etárias mais jovens. Grande parte dos
usuários, no entanto, não faz a menor idéia
do que está ingerindo e dos riscos que o produto pode trazer.
Popularmente conhecidas como energéticas, as bebidas que
excitam o sistema nervoso são, na verdade, estimulantes.
A diferença está no fato de que a bebida energética
tem um teor elevado de carboidratos, que ajuda na recuperação
da energia após treinos, competições ou durante
os intervalos de atividades físicas prolongadas. No mercado
brasileiro, há produtos energéticos como o Sport Energy
e o Carb-up. Já as bebidas estimulantes, à venda em
bares e casas noturnas, são produtos que têm, além
dos carboidratos que fornecem energia para o organismo, substâncias
excitantes para o sistema nervoso, como a cafeína. Depois
da ingestão de uma bebida estimulante, o usuário tem
a sensação de que está mais disposto. No Brasil,
há marcas conhecidas como o Red Bull e o Flying Horse."
Vício
As
bebidas estimulantes conseguem mascarar a fadiga do indivíduo,
o que nem sempre é um fator conveniente. "A pessoa que
consome este tipo de produto pode não detectar a tempo uma
possível lesão muscular ou articular por overdose
de treino", alerta a nutricionista Carmen Zita Pinto Coelho.
A nutricionista afirma que a bebida também pode viciar. Os
usuários freqüentes podem ter o desempenho reduzido
quando não consumirem antes a cafeína. Carmen Zita
explica que se a pessoa não abre mão de usar a bebida
estimulante, o melhor é escolher uma competição
prolongada e importante para ingeri-la - no início e nos
intervalos -, evitando que seu consumo se torne um hábito
em todas as competições e ocasiões.
Isotônicas
Outro
tipo de bebida que também conquistou o mercado são
as isotônicas, como Gatorade, SportDrink e Energyl C. As isotônicas
provocam a hidratação, possibilitando também
a reposição de carboidratos em concentrações
consideradas pequenas - de 6% a 8% - e de eletrólitos, que
são substâncias que se perdem no suor. "A bebida
isotônica deve ser consumida com regularidade a partir de
uma hora após o início da atividade física.
Antes deste período, o ideal é priorizar a ingestão
de água", explica a nutricionista. As bebidas isotônicas
também são usadas em festas para a reidratação
e a reposição de pequenas quantidades de glicose e
eletrólitos.
A
verdadeira bebida energética, rica em carboidratos, não
deve ser consumida por pessoas diabéticas. Para os demais
indivíduos, que querem recuperar a energia rapidamente após
a atividade física, o consumo não traz problema. No
entanto, o usuário deve ficar atento à quantidade
de calorias ingeridas, que precisa estar de acordo com a dieta diária
recomendada. "Já as bebidas estimulantes são
contra-indicadas para pacientes com hipertensão e cardiopatias,
pessoas nervosas ou com problemas psiquiátricos, além
de diabéticos e indivíduos com insônia",
recomenda Carmen Zita.
Desidratação
Um
dos riscos de consumir a bebida estimulante e o álcool é
a desidratação. Tanto o álcool quanto a cafeína
são produtos potencialmente diuréticos. Por isso,
a orientação é para que o usuário alterne
a ingestão do estimulante com grandes quantidades de água.
A
cafeína não é a única fonte de preocupações
dos especialistas da área de saúde. Algumas bebidas
também contêm a droga efedrina, que é um estimulante,
normalmente encontrado em descongestionantes nasais. Segundo alguns
médicos, a cafeína misturada com a efedrina pode causar
sérios problemas cardíacos. O aminoácido natural
taurina é outro componente de algumas bebidas deste tipo.
Em alguns alimentos, este aminoácido é encontrado
em pequenas quantidades. Nas bebidas estimulantes, no entanto, sua
concentração é semelhante à encontrada
em 500 taças de vinho. Em grandes quantidades, acredita-se
que o taurina potencialize o efeito dos demais estimulantes presentes
na bebida. Seus efeitos em longo prazo ainda não foram estudados.
Comercialização
Se
consumida por muito tempo e com freqüência, a bebida
estimulante pode causar alterações no sistema nervoso.
Por seus efeitos no organismo e seu teor de cafeína, as bebidas
energéticas são produtos que têm a venda acompanhada
com cuidado em outros países. No Canadá, França
e Dinamarca, diversas bebidas estimulantes não foram aprovadas.
O produto austríaco Red Bull, responsável por metade
do mercado norte-americano e um sucesso de vendas no Brasil, foi
um deles.
Apesar
das restrições em alguns países, as bebidas
estimulantes têm conseguido o registro na Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão
responsável pelo controle do produto no Brasil. Segundo a
Anvisa, 31 marcas têm autorização para serem
comercializadas no País. Red Bull, Ninja, Blue Energy Xtreme,
Red Dragon, Ecstasy, Liquid Energy, Sky Horse Energy Drink, Repique,
Dynamite, First One Atomic Energy Drink, Strength Bulls-Energy Drink,
Flyng Horse-Booster e On line são algumas das bebidas estimulantes
regularizadas.
Carmen
Zita não recomenda o consumo das bebidas estimulantes. Segundo
ela, o produto pode ser usado, mas em casos esporádicos.
"Se alguém precisa estar em uma festa e está
desanimado, uma dose não faria mal, mas isto não pode
se tornar um hábito. Vale lembrar que o produto não
deve ser consumido por pessoas com hipertensão e diabetes,
por exemplo", alerta.
Inofensivos?
Apesar
da preocupação dos especialistas, os fabricantes das
bebidas estimulantes afirmam que estes produtos são inofensivos.
A única orientação das indústrias é
que os usuários se mantenham hidratados, já que a
cafeína e o álcool são diuréticos, ou
seja, provocam a perda de líquidos no corpo. Em todo o mundo,
há três casos de morte - possivelmente ligados a este
tipo de bebida - sendo investigados. Um deles, de uma jovem, por
desidratação, que consumiu a bebida estimulante e
álcool.
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