Vegetariano
tem pressão mais baixa
BELL KRANZ
Editora do Folha Equilíbrio
Quem
não come carne animal de espécie nenhuma está
mais protegido de doenças cardiovasculares. Não apenas
a pressão arterial é mais baixa, como os outros fatores
de risco são menores. A conclusão é do estudo
feito, entre junho de 2000 e fevereiro deste ano, pelo cardiologista
Julio César Acosta Navarro, 37, para sua tese de doutorado
defendida nesta semana no Instituto do Coração de
São Paulo.
Segundo
Navarro, que é médico-assistente da UTI do serviço
de transplante de fígado do Hospital das Clínicas,
existem trabalhos nos Estados Unidos e na Europa que indicam o efeito
positivo do vegetarianismo na saúde como protetor de diferentes
doenças, mas, na América do Sul, esse talvez seja
o estudo pioneiro.
O
médico selecionou 136 pessoas que seguiam, havia cinco anos,
hábitos alimentares que se encaixavam nas seguintes categorias:
vegetariano (que não consome carne), semivegetariano (que
come carne de uma a três vezes por semana) e onívoro
(consumidor de carne diário). Todos tinham entre 20 e 55
anos de idade e não apresentavam histórico de problema
coronário, entre outras doenças. Tiveram analisados
pressão arterial, índice de massa corpórea,
eletrocardiograma, composição dos hábitos alimentares
e exames de sangue para perfil lipídico, para glicemia e
hemograma.
Resultados
do estudo: a média da pressão arterial máxima
dos vegetarianos foi significativamente menor (109 mmHg) que a dos
semivegetarianos (116 mmHg) e que a dos onívoros (121 mmHg).
O mesmo ocorreu com a média mínima dos que não
ingerem carne em comparação aos semivegetarianos e
onívoros -71 mmHg, 78 mmHg e 80 mmHg, respectivamente. Em
todas as categorias, as quais se referem a fatores de risco de doenças
cardiovasculares, os vegetarianos saíram "ganhando".
A
saber: colesterol total médio de 167 mg/ dl (vegetarianos)
contra 188 mg/dl (onívoros); LDL (colesterol "ruim")
médio de 92 mg/dl entre vegetarianos e de 107 mg/ dl entre
onívoros. A prevalência de hipertensão arterial
(a partir de 140/90 mmHg) no grupo de vegetarianos foi nula. Já
entre os semivegetarianos foi de 10% e mais alta ainda -21,95%-
entre os onívoros.
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