| Abordagem
da Obesidade pelo Médico
"A
obesidade é uma das doenças de maior incidência
nos Estados Unidos, constituindo um fator de risco para o desenvolvimento
de diversas outras afecções, entre as quais destacam-se:
doença cardiovascular, hipertensão, diabetes, doença
cerebrovascular (acidente vascular cerebral, conhecido como derrame
cerebral), dislipidemias (excesso de gorduras no sangue), câncer
e algumas doenças do aparelho digestivo (cirrose e pedras
na vesícula). Com freqüência, indivíduos
obesos desenvolvem complicações que, se presentes,
necessitam ser atenuadas com a redução de peso. A
compreensão do que se busca com o tratamento da obesidade
é muito importante, pois não há evidência
segura de que o tratamento da obesidade previna a mortalidade geral.
No entanto, existe ampla evidência de que seu tratamento diminua
as complicações mais imediatas, incluindo os fatores
de risco para doenças do coração".
Definição
do Termo Obesidade
A
obesidade é um excesso de gordura no corpo que, na prática,
é medido pela relação entre o peso e a altura.
Diversos estudos demonstraram que a mortalidade associada ao peso
é menor na faixa central dos pesos, em torno do denominado
"peso ideal", mas que aumenta exponencialmente acima e
abaixo dos limites dessa faixa.
Avaliações
mais objetivas incluem, além de tabelas relacionando altura
e peso, índices relacionados ao peso e outras medidas antropométricas.
Nos
Estados Unidos, a obesidade consiste em um dos mais comuns problemas
de saúde, além de ser um fator de risco para doenças
como hipertensão arterial (pressão alta), diabetes,
artrite degenerativa e infarto do miocárdio. É uma
causa de significativa morbidade e mortalidade, gerando impactos
sociais e financeiros.
A
Organização Mundial de Saúde (OMS) formulou
um parâmetro para definir a obesidade, derivado da altura
e do peso do paciente. Este parâmetro é conhecido como
índice de massa corporal (IMC), calculado através
da fórmula: IMC = peso (valor em quilogramas) dividido pela
altura (valor em metros) ao quadrado. A obesidade é definida
como um índice de massa corporal (IMC) com valor acima de
30.
O
IMC estabelece uma boa relação com outras estimativas
de gordura, embora alguns indivíduos muito musculosos, com
peso avantajado, sejam classificados como obesos, quando de fato
não são. Além disso, é um índice
um pouco mais preciso de gordura nos homens do que nas mulheres.
O IMC "ideal" aumenta de forma gradual com a idade em
ambos os sexos, sem diferenças consistentes entre homens
e mulheres.
Através
da medida do IMC, pode-se classificar os indivíduos em diferentes
graus de obesidade. Indivíduos com índice de massa
corporal compreendido entre os valores 18,5 a 24,9 são definidos
como normais; um IMC compreendido entre 25,0 a 29,9 classifica o
indivíduo em uma graduação de sobrepeso; finalmente,
pacientes com IMC de valor igual ou superior a 30,0, são
considerados obesos.
É
importante ressaltar que o cálculo do índice de massa
corporal não significa a medida da composição
corporal de um indivíduo; diferentes grupos de pessoas que
possuam o mesmo valor de IMC podem ter maior ou menor teor de gordura
corporal ou massa muscular.
Os
médicos devem levar em consideração o grau
de obesidade definido pelo IMC, avaliando os fatores de risco de
desenvolvimento de doenças associadas ao excesso de peso
e selecionando um tratamento apropriado para a obesidade. As doenças
das artérias coronárias (vasos sangüíneos
que irrigam o coração), o diabetes tipo 2 (conhecido
como diabetes não-insulino dependente) e a apnéia
do sono são condições associadas, consideradas
de alto risco, por aumentarem a morbidade e a mortalidade.
A
Etiologia da Obesidade
A
obesidade é causada por inúmeros fatores, como o excesso
de ingestão de alimentos, gasto insuficiente de energia (exercícios,
taxa de metabolismo corporal diminuída), predisposição
genética, quantidade de leptina diminuída no plasma,
fatores ambientais predisponentes ao ganho de peso, fatores psicológicos
estressantes e classe sócio-econômica mais baixa.
A
obesidade central exerce grande impacto em três importantes
indicadores de predisposição para doenças cardíacas,
sobretudo das artérias coronárias (vasos sangüíneos
responsáveis pela irrigação do miocárdio-
músculo do coração). Esses indicadores são
a hiperlipidemia (excesso de gorduras no sangue), a resistência
à insulina (fator que predispõe à diabetes)
e a hipertensão arterial (pressão alta).
O
ponto culminante do tratamento da obesidade é a diminuição
da ingestão energética ou a elevação
do gasto energético, ou a associação de ambos.
Provavelmente,
existem muitas causas diferentes responsáveis pela obesidade
e, algumas, podem coexistir em um mesmo indivíduo. A deposição
excessiva de gordura ocorre porque a ingestão energética
excede ao seu gasto.
A
perda de peso induzida por medicamentos pode ser apropriada em pacientes
previamente selecionados, que tenham sido classificados como obesos
ou que estão com excesso de peso associado à outras
condições mórbidas.
Tratamento
de um Paciente Obeso
Aproximadamente
97 milhões de adultos, nos Estados Unidos, são obesos,
representados por 31,3% de homens e 34,7% de mulheres.
Os
custos diretos e indiretos para a sociedade incluem custos médicos
elevados, diminuição do rendimento e produtividade
no serviço, incapacidade e discriminação no
trabalho.
Cerca
de trinta bilhões de dólares são gastos anualmente
em medicamentos para a perda de peso nos Estados Unidos.
O
tratamento da obesidade, e das doenças diretamente relacionadas
a essa morbidade, corresponde a um valor de 5 a 7% do valor total
anualmente dispensado aos cuidados com a saúde.
Os
médicos devem instituir um tratamento direcionado às
condições associadas ao excesso de peso, enquanto
estão trabalhando com pacientes obesos, objetivando a manutenção
da perda de peso.
A
abordagem de um paciente com excesso de peso é uma tarefa
difícil. Isso se deve ao fato de que a obesidade possui importantes
raízes sócio-culturais. Assim, o seu controle na sociedade
passa por modificações dos padrões estéticos,
dietéticos e de exercício físico nela vigentes.
A
base dietética do emagrecimento é a redução
de calorias (alimentos ricos em gorduras, bebidas alcoólicas,
farináceos e doces em geral). Para facilitar a aderência
do paciente ao regime dietético, o médico deve propor
formas de organizar as refeições diárias. As
falhas na orientação dietética ocorrem com
muita freqüência, levando aos denominados "erros
invisíveis", ou seja, aqueles que o paciente comete
sem se dar conta.
Medicamentos
Utilizados Recentemente
Alguns
pacientes alcançam perda de peso através de dietas,
exercícios físicos e modificações dos
hábitos de vida. Outros necessitam de uma terapia mais agressiva
para o tratamento da obesidade.
Os
medicamentos utilizados no tratamento da obesidade são formulados
com o objetivo de reduzir a energia ingerida, através da
inibição do apetite, elevar a taxa de metabolismo
do organismo e diminuir a absorção de alguns tipos
de alimentos.
As
drogas não devem substituir a dieta, nem a redução
da ingestão de alimentos, nem os exercícios físicos
ou as alterações dos hábitos de vida, que consistem
nos fundamentos do tratamento da obesidade.
Dois
medicamentos recentemente divulgados, a sibutramina e o orlistat
(Xenicalâ), exibem novos mecanismos de ação
e possuem menos efeitos colaterais (reações adversas)
do que os medicamentos utilizados anteriormente.
A
sibutramina possui ação de bloqueio dos receptores
dos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina; enquanto
o outro medicamento, também recentemente utilizado, o orlistat,
possui ação sobre a absorção intestinal
de gorduras, diminuindo esta função do aparelho digestivo.
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