| Apetite
e Peso
Dr. João Roberto D. Azevedo
A
anorexia ou a falta de apetite pode estar relacionada a moléstia
do aparelho digestivo ou a problemas psicológicos. Na terceira
idade o estado depressivo é causa freqüente de inapetência.
Vários medicamentos podem também induzir a diminuição
do apetite, destacando-se os digitálicos, medicamente utilizado
em doenças do coração. O estado febril e as
infecções em geral são sempre acompanhados
de inapetência.
Na
terceira idade há uma tendência a perda de peso. A
mulher tem aumento progressivo de peso até os 50 anos, quando
se estabiliza, passando a declinar após os 70 anos. Este
também é o padrão do que ocorre com os homens,
com a diferença que o ganho de peso passa a diminuir após
os 40 anos.
O
que ocorre é uma perda progressiva da massa muscular e da
massa óssea com a idade. Por outro lado ocorre um aumento,
também progressivo, da massa gordurosa. Há também
uma diminuição das necessidades de energia que se
acentua com a eventual diminuição da atividade física.
A
obesidade ou o excesso de peso é prejudicial em qualquer
idade, devendo ser evitado na terceira idade. A obesidade é
um fator de risco para as doenças cardíacas, sendo
também prejudicial às articulações.
O repentino aumento de peso está sempre relacionado a algum
problema que deve ser investigado, destacando-se doenças
hormonais e neurológicas. Manter um corpo magro é
considerado um dos grandes fatores de bem estar na terceira idade.
O
emagrecimento é uma situação que deve ser vista
sempre com muito critério, principalmente quando ocorre de
maneira rápida. Na terceira idade ocorre uma tendência
natural a perda de peso, mas o emagrecimento nesta fase da vida
pode também estar relacionada a alterações
metabólicas como ocorre no diabetes sem controle, por exemplo,
em doenças digestivas ou intestinais, na moléstia
cancerosa, e também em problemas psicológicos.
Os
açúcares ou carboidratos são responsáveis
pela maior parte da energia obtida pelas pessoas através
da alimentação, além de ter importância
em tornar os alimentos palatáveis. Existem vários
tipos de açúcar de acordo com a sua estrutura química.
A glicose e a frutose são açucares denominados monossacarídeos.
Quando
se fala em açúcar no sangue fala-se em glicose. O
aumento da glicose no sangue significa diabetes, doença que
está relacionada a problema no metabolismo da glicose. A
diminuição de glicose no sangue é denominada
hipoglicemia. Além da glicose e da frutose existem também
outros açúcares como a maltose (do malte), a lactose
(do leite), a celulose, o glicogênio e o amido.
As
principais fontes de açúcar na natureza são
a cana-de-açúcar e a beterraba, passando então
pelo processo industrial da refinação. O açúcar
é rapidamente digerido sendo uma fonte de energia para o
organismo.
O
excesso de ingestão de açúcar pode levar a
problemas de saúde destacando-se o aumento de peso. O açúcar
deve ser utilizado com moderação. Grande parte dos
alimentos existentes na natureza já contém quantidades
mais do que suficientes de carboidratos para satisfazer nossas necessidades
energéticas. A maior fonte de açúcares são
os vegetais.
A
batata, a beterraba, a cenoura e de uma maneira geral, todas as
raízes, são os alimentos mais ricos em carboidratos.
Alguns
tipos de carboidratos, como as fibras, não são digeríveis
e por isso não são absorvidos pelo organismo, atingindo
os intestinos intactos. São componentes de diversos alimentos:
cereais integrais (farelo de trigo e de aveia), legumes, verduras,
e frutas (bagaços de laranja e de mexerica, abacaxi, manga,
casca de maçã, etc).
Com
a industrialização dos alimentos e a sua refinação
houve grande perda de fibras na alimentação. As fibras
têm papel fundamental para o bom funcionamento do aparelho
digestivo. São substâncias que não podem ser
digeridas pelas enzimas do estômago contribuindo para a formação
das fezes.
Basicamente
as fibras agem nos intestinos diminuindo o tempo do trânsito
intestinal e combatendo a obstipação intestinal agindo
como reguladoras do ritmo intestinal.
Observa-se
que a alimentação rica em fibras diminui as doenças
do intestino grosso (diverticulites, por exemplo) e as doenças
da vesícula biliar (colecistite). Combatem ainda a "prisão
de ventre" ou constipação, e as hemorróidas.
Provoca também a diminuição nos níveis
do colesterol e é benéfica no diabetes, auxiliando
o controle do açúcar sangüíneo. A dieta
rica em fibras também provoca diminuição na
incidência do câncer do intestino grosso.
A
sua utilização deve fazer parte regular da dieta em
qualquer idade, mas deve ser sempre equilibrada com a ingestão
de proteínas e gorduras.
O
exagero na ingestão de fibras, por outro lado, pode levar
a diminuição na absorção intestinal
de certas substâncias importantes para o organismo, como o
zinco.
A
utilização de adoçantes é muito comum
em nosso meio e tem até uma conotação de ser
um hábito saudável. Trata-se de substância química
de baixo conteúdo calórico utilizado para adoçar
alimentos.
A
sacarina, o aspartame, a frutose e o sorbitol são utilizados
em larga escala. O consumo em grandes quantidades pode levar a distúrbios
gastrintestinais como cólicas e diarréia. Os ciclamatos
foram abolidos por serem carcinogênicos em animais. A estevia,
derivada de vegetal, foi desenvolvida em nosso meio e apresenta
excelente capacidade adoçante, sendo a calórica.
As
gorduras formam com as proteínas e os a açúcares
as principais fontes de energia das pessoas. Devem representar cerca
de 30% do conteúdo de nossa dieta em condições
normais. Têm também a função de transportar
vários tipos de vitaminas pelo sangue, as denominadas vitaminas
lipossolúveis.
São
responsáveis também pela integridade das células,
pois formam parte dos componentes básicos de suas membranas.
Participam da formação de hormônios (estrógeno,
testosterona e cortisona, por exemplo) e da formação
da bile. Estão presentes nas carnes, leite e ovos.
A
quantidade de gorduras no sangue se altera em função
do tipo de dieta, do tipo de atividade física e também
com a idade.
Dietas
contendo carnes gordas, vísceras, ovos, leite integral, cremes,
e manteiga são ricas em colesterol. Peixe, aves e vegetais
são pobres em colesterol.
As
gorduras do sangue, denominadas lipídeos, são constituídas
pelo colesterol e os triglicérides. Um tipo de colesterol,
denominado “mau”, quando elevado, está relacionado
ao processo de arteriosclerose e das doenças cardíacas.
O
colesterol é formado pelos colesteróis de baixa densidade
(CBD – também conhecido como LDL) ou “colesterol
mau” e os de alta densidade (CAD – também conhecido
como HDL) ou “colesterol bom”, que podem servir para
avaliação de risco de doença cardíaca
em adulto jovem.
Os
níveis sangüíneos de colesterol bom ou CAD no
adulto de meia idade estão associados a doença das
coronárias, isto é, quanto mais baixo os níveis
de colesterol de alta densidade maior o risco de infarto do miocárdio
ou de doença das coronárias; a sua elevação
está relacionada à redução do risco
da doença. Estes números não valem para os
idosos, principalmente aqueles com mais de 75 anos de idade.
O
risco entre colesterol total elevado e doença das coronárias
desaparece entre os homens idosos e praticamente não existe
entre as mulheres idosas.
Os
níveis de triglicérides no sangue não se relacionam
a coronariopatia entre os idosos.
Todas
as gorduras se alteram com a idade e são diferentes quando
comparados homens e mulheres. O colesterol tende a aumentar continuamente
entre as mulheres até os 70 anos de idade (a níveis
superiores aos dos homens), quando passa a diminuir.
Nos
homens o aumento do colesterol ocorre entre os 30 e 50 anos de idade
e depois se estabiliza até os 70 anos, quando também
passam a declinar. Os colesteróis de alta densidade (CAD)
se mantém estáveis no homem até os 60 anos
quando tendem a aumentar.
Na
mulher o CAD permanece mais elevado que o dos homens até
os 70 anos. Quanto aos triglicérides, tendem a aumentar durante
a vida adulta nos dois sexos, passando a declinar após os
60 anos nos homens e após os 70 anos na mulher.
As
proteínas formam um dos constituintes básicos das
células e, portanto do organismo. São formadas pelos
aminoácidos.
Qualquer
dieta deve ser composta de aminoácidos para a manutenção
das funções do organismo. Vários aminoácidos
denominados essenciais não são sintetizados pelo organismo
devendo ser ingeridos, como por exemplo: a lisina, a leucina, o
triptofano e a valina.
As
maiores fontes de aminoácidos são os ovos e o leite.
Os grãos, o arroz, o milho, o centeio e nozes também
são ricos em proteínas.
As
proteínas devem representar 15% da alimentação
de um idoso. O excesso de proteína não fica armazenado
no organismo sendo eliminada na forma de uréia e de ácido
úrico pelos rins.
Em
determinadas situações, como na doença renal,
a eliminação de proteínas fica prejudicada
obrigando a restrição alimentar das mesmas. Em situações
de carência de proteínas os aminoácidos são
retirados de praticamente todos os órgãos para suprir
a deficiência e manter as necessidades calóricas do
organismo.
A
perda de peso é a principal manifestação da
deficiência protéica, ocorrendo também queda
da imunidade e dificuldade no processo de cicatrização.
A falta de proteínas afeta as funções cardíacas,
respiratórias, hormonais e renais.
No
idoso pode ocorrer falta de ingestão de proteínas
em diversas situações, principalmente em pessoas hospitalizadas
por longo tempo ou com dificuldade na deglutição,
como ocorre nos acidentes vasculares cerebrais. A demência
também é uma situação que favorece a
grave diminuição de ingestão protéica.
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