Azia:
Bons hábitos e atividade física são palavras
de ordem
"A azia é uma sensação de queimação
causada por processo irritativo ou inflamatório do esôfago,
em conseqüência das agressões sofridas por uma
alimentação inadequada".
Introdução
O
médico e especialista em clínica e cirurgia do aparelho
digestivo, Dr. Lincoln Lopes Ferreira, explica que quando o esôfago
for agredido de alguma forma vai aparecer a sensação
de azia, que pode ocorrer por causa de alimentos irritantes, condimentados,
picantes, ácidos, etc.
A
azia é observada devido à acidez do estômago
que reflui para dentro do esôfago. Isto ocorre sempre quando
a musculatura da junção do esôfago com o estômago
não funciona adequadamente como nos casos de pessoas que
apresenta a chamada hérnia de hiato.
Neste
tipo de situação é muito comum aparecer este
tipo de refluxo, mal tolerado pelo esôfago que inflama e leva
a azia, explica.
No
caso das grávidas, a mulher passa por um processo de retenção
de líquido muito grande; a musculatura da junção
esôfago-gástrica com essa retenção passa
a funcionar de forma mais inadequada, e associado com o crescimento
progressivo do útero, faz um aumento da pressão sobre
o estômago que é empurrado para cima nas fases finais
da gravidez.
Este
é o motivo de muito refluxo e da queixa freqüente de
azia na gravidez.
Alimentação
e Tratamento
O
tipo de alimentação nestes casos, acrescenta o médico,
também tem influência, como os alimentos muito gordurosos
e muito condimentados, bebidas alcoólicas, chocolate, excessos
de frutas ácidas, pois todos eles já encontram um
campo previamente lesado para atuarem, além de promoverem
refluxo de secreção ácida do estômago
para o esôfago o que consequentemente se traduz em azia.
O
tratamento, de acordo com o especialista, passa por correção
de hábitos alimentares, ou seja, não existem proibições,
mas os alimentos gordurosos, as frituras, as frutas ácidas,
os excessos de temperos, o hábito de fumar, as bebidas alcoólicas
também devem ser consumidas de forma moderada e equilibrada,
sendo que existem fatores individuais (algumas pessoas irão
tolerar melhor ou pior um determinado alimento ou hábito
alimentar). Então, é preciso evitar aqueles que causem
mais azia, alerta.
Os
hábitos pessoais são tão importantes quanto
os hábitos alimentares no tratamento da azia. Por exemplo,
esta condição é praticamente desconhecida entre
os atletas, ou seja, ela ocorre em pessoas sedentárias. Assim,
uma das formas de tratar a azia (e vários outros problemas)
é iniciar um esquema de atividade física regular,
como a caminhada, na grande maioria das vezes.
Orientação
O
médico recomenda vários pontos que considerados primordiais
para quem tem azia. O hábito de alimentar e deitar logo em
seguida deve ser condenado para os portadores do problema: deve-se
aguardar uma ou duas horas, para permitir que estômago se
esvazie e que reduza a produção de ácido.
O
uso de roupas apertadas também altera a pressão dentro
do abdomen, faz com a acidez do estômago reflua para do esôfago,
e promova a azia.
A
ingestação de muitos líquidos, especialmente
os gasosos, durante uma refeição também é
um fator causador da azia. O próprio peso da pessoa, a gordura
acumulada, não externa, mas internamente dentro do abdomen
funciona também como uma pressão adicional sobre estômago,
promovendo refluxo.
Então,
é preciso cuidar de seu peso, manter uma atividade física
e evitar nunca se deitar após ter-se alimentado, além
de manter uma dieta equilibrada, orienta o Dr. Lincoln.
Medicamentos
Os
medicamentos mais indicados, nos casos em que o simples controle
de dieta e peso não resolvem, são os antiácidos
e remédios específicos que controlam a secreção
gástrica.
Uma
prática muito comum entre as pessoas que sentem a azia é
o uso do bicarbonato de sódio ou uso do leite. O leite, adverte
o médico , é alimento e não remédio,
pois ao bloquear a acidez do estômago, acaba por induzí-lo
a produzir mais ácido. O mesmo acontece com o bicarbonato.
"Leite
e bicarbonato no momento que são ingeridos são que
se fossem um remédio ideal, porque aliviam a pessoa, só
que ambos tem efeito rebote. Duas ou três horas depois, a
pessoa está com mais azia. São práticas que
devem ser evitadas, o ideal é sempre o aconselhamento médico",
informa.
Outro
ponto importante refere-se à automedicação.
Neste caso, ela só deve acontecer no momento inicial, apenas
como uma medida inicial, pois a queimação atrás
do osso do esterno conhecida como pirose, pode ser um sinal de outros
problemas, como os de coração, infarto, infecção
de esôfago, etc.
"A
automedicação não pode ser encorajada, porque
ela pode tirar a possibilidade de tratamento de uma pessoa. O enfartado
que tomar antiácido pode estar perdendo preciosos minutos
entre a vida e a morte. Uma azia pode se apresentar como sinal de
doença grave e, isto é um dos parâmetros que
nos leva alertar os perigos da automedicação"
, diz o médico.
O
especialista comenta que são raros os casos de pessoas que
tem azia que vão precisar de uma cirurgia, mas quanto mais
rápido se determinar a necessidade dessa cirurgia para correção
da azia ou refluxo, melhor será para essas pessoas.
Elas
terão menos riscos e melhor será a sua qualidade de
vida, mas para atingir esta definição é necessário
uma avaliação precisa de um especialista, além
de vários exames adequados.
Finalizando
o médico comenta que não existe relação
formal entre estresse e azia, mas sim sobre sua percepção.
O nervosismo e o estresse alteram o limiar da pessoa.
Ratifica
ainda que a busca do equilíbrio alimentar, mais do que uma
dieta, exercícios físicos regulares, evitar uso de
bebidas alcoólicas e buscar a orientação de
um especialista, são fundamentais para buscar uma solução
para o problema.
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