Exercício
Físico e Saúde Mental
"A interação mente-corpo está sendo cada
vez mais alvo de interesse por parte não apenas dos médicos
e dos atletas profissionais, mas da população em geral
e das empresas. Uma onda de práticas esportivas, envolvendo
mais e mais pessoas, está motivando profissionais da área
de saúde a focarem sua atenção na estreita
relação que existe entre o exercício físico
e o bem-estar emocional. As empresas estão também
se mobilizando para proporcionar aos empregados momentos de lazer
em que se incluam exercícios físicos, apostando em
um retorno positivo em termos de produtividade e de integração
com os funcionários. Em entrevista ao Boa Saúde, Dr.
Renato Monteiro, médico do trabalho, esclarece alguns desses
pontos".
Mudando
a rotina
Cresce
a cada dia o número de centros especializados em treinamento
e condicionamento físico que são procurados pelas
empresas para fazer parte das atividades recreativas e de lazer
entre seus funcionários. Professores de educação
física, fisioterapeutas, médicos do trabalho, terapeutas
ocupacionais e monitores para exercícios em grupo são
profissionais que muitas vezes, fazendo um trabalho combinado, podem
elevar o ânimo dos operários de uma fábrica
com o uso de exercícios diários. A razão disso
é que as empresas já descobriram que transtornos como
a ansiedade e a depressão podem significar perdas importantes
para seus projetos e isso vem facilitando um novo raciocínio:
ainda dentro da rotina de trabalho, os funcionários podem
se exercitar, e conseqüentemente relaxar, sem que isso seja
considerado ociosidade.
Prós
e contras
Em
princípio, todo e qualquer exercício é benéfico
e pode contribuir para a saúde mental. No entanto, exercícios
nunca devem começar a ser feitos sem que a pessoa saiba quais
são suas reais condições de saúde. Pessoas
com problemas cardíacos, gestantes, portadores de algum problema
ósseo ou articular devem sempre consultar um médico
do esporte para saber quais são os exercícios adequados
e permitidos para o seu caso. Mesmo as pessoas saudáveis,
a título de prevenção, devem se preparar –
conhecer o próprio corpo, fazer exames médicos e saber
até onde podem ir com um esporte ou ginástica é
fundamental para que os exercícios dêem os resultados
esperados.
Igualmente,
os exercícios não devem ser iniciados com ‘força
total’. A pessoa não habituada a práticas físicas
deve começar devagar, aumentando aos poucos os movimentos
e a freqüência destes, de forma a habituar o corpo à
sua nova rotina agora mais dinâmica.
E
não é mais preciso forçar a própria
natureza para fazer exercícios, pois opções
é que não faltam: aeróbica, jogos esportivos,
caminhada, exercícios dentro da água, exercícios
com acompanhamento de músicas. A pessoa interessada em começar
a se exercitar, hoje, pode e deve escolher o tipo de exercício
que lhe seja prazeroso e acessível ao seu corpo. Influenciados
pelo modismo, muitos indivíduos correm o risco de escolher
para sua prática física um esporte que não
combine com suas habilidades motoras ou com seu estilo de vida,
e isso pode levar à desmotivação e ao abandono
precoce das atividades.
Reconhecendo
o próprio corpo
Ao
iniciar a prática de exercícios físicos, tudo
é novo e estranho. Alguns tipos de exercícios, por
exemplo, podem requisitar mais esforço muscular do que outros,
ou um tipo de movimento que a pessoa não está habituada
a fazer.
O
que é comum entre todas as pessoas que se exercitam fisicamente
é uma maior energia e uma sensação de bem-estar,
além de uma sensação de "eu posso",
"eu consigo". Isso deve ser feito gradualmente, de preferência
sempre com a ajuda de um profissional. Não é preciso
apostar corrida ao redor de um bosque com um corredor já
treinado para tanto. A prática de exercícios não
é uma competição com as outras pessoas, mas
uma superação dos próprios obstáculos,
uma competição consigo mesmo. E o corpo responde a
todos os estímulos, dando sinais importantes ao ‘novo
atleta’: mais energia e vigor durante o dia, soluções
para os problemas rotineiros vêm à mente com maior
clareza e rapidez, idéias novas brotam como que do nada.
Com persistência e treino, cada dia pode significar uma realização.
Mas é preciso ter uma meta, ao começar a fazer exercícios,
e observar os próprios limites.
Que
objetivo eu pretendo atingir?, é a pergunta que algumas academias
de ginástica propõem aos seus alunos. E os objetivos
variam: pessoas entrevistadas em um parque apontaram, entre eles,
o prazer de estar caminhando ao ar puro, mudar a rotina, emagrecer,
prolongar a saúde, recuperar-se de um tratamento ou simplesmente
estar em companhia de outras pessoas. Reconhecer quais os exercícios
mais adequados para sua idade, peso, condição de saúde
é fundamental para alcançar esses objetivos.
O
Grupo Ramazzini de Médicos do Trabalho
O
Grupo Ramazzini, formado por médicos do trabalho, é
bastante envolvido com as práticas esportivas e todos os
tipos de exercícios físicos. O grupo se reúne
mensalmente em atividades científicas e de aprendizado com
troca de experiências, palestras, visitas a empresas, instituições,
Universidades, etc.
O
BoaSaúde entrevista Dr. Renato Monteiro, cirurgião,
clínico, médico do trabalho, especialista em medicina
do trabalho pela ANAMT (Associação Nacional de Medicina
do Trabalho), coordenador do Grupo Ramazzini de médicos do
Trabalho de Campinas e região.
BoaSaúde:
Qual é a relação entre exercícios físicos
e a saúde mental?
Dr. Monteiro: A atividade física auxiliando a saúde
mental já é algo conhecido de longa data, inclusive
a máxima "mente sã em corpo são"
(mens sana in corpore sano) exprime bem essa relação,
significando o quanto os exercícios físicos nos levam
a uma mente saudável.
BoaSaúde:
De que forma os exercícios ajudam a oxigenar o cérebro,
que tipo de hormônios o organismo libera e quais os seus fatores
positivos?
Dr. Monteiro: Os exercícios físicos atuam aumentando
o fluxo sangüíneo nos tecidos, havendo, por conseguinte,
um aumento na oferta de oxigênio. Esse elemento (o oxigênio),
segundo os orientais, é considerado como a energia vital
denominado "chi" (pronuncia-se "qui"). Ao realizarmos
exercícios, existe um aumento na quantidade de hormônios
circulantes no organismo, os quais aumentam o metabolismo e fazem
nosso corpo "trabalhar" em um ritmo mais intenso, deixando-o
"treinado" para outros momentos em que necessitemos desse
preparo físico. Hoje, é sabido que o simples fato
de caminhar libera endorfinas, substância essa que, entre
outras coisas, diminui a sensação da dor.
BoaSaúde:
Qual é o melhor horário para se praticar exercícios
e a que distância dos horários das refeições?
Dr. Monteiro: A atividade física deve ser praticada moderadamente,
sempre dentro dos limites de cada pessoa, pois a exposição
à exaustão em condições não ideais
(muito calor, muito frio, "estômago cheio") não
conduz ao resultado positivo desejado.
BoaSaúde:
Que pessoas respondem melhor aos exercícios físicos,
homens ou mulheres? Existe essa distinção?
Dr. Monteiro: Não, não existe diferença de
sexo para a atividade física.
BoaSaúde:
Existe algum livro especialmente indicado para este assunto 'exercício
físico e saúde mental', para a comunidade leiga?
Dr. Monteiro: A quantidade de livros existente sobre o assunto é
bastante extensa, inclusive com abrangência de tópicos
específicos, sendo facilmente encontrados nas livrarias tradicionais.
BoaSaúde:
Os exercícios físicos podem reduzir o índice
de cirurgias, de doenças e de faltas ao trabalho? Por quê?
Dr. Monteiro: Desconheço qualquer estatística mostrando
a redução do índice de cirurgias nas pessoas
que cultivam os exercícios físicos, mas é bem
conhecido seu efeito benéfico, principalmente na área
cardiovascular (coração - pressão arterial-
colesterol).
BoaSaúde:
O que é melhor - exercícios feitos em grupo, ou individualmente?
Dr. Monteiro: Cada pessoa tem uma preferência, sendo que não
existe diferença entre ser feito em grupo ou individualmente,
o que realmente "conta" é fazê-lo com freqüência
e constância.
BoaSaúde:
Conhece empresas que empregam exercícios físicos,
para melhorar o desempenho dos funcionários? Como isso se
dá?
Dr. Monteiro: As empresas modernas estão se voltando para
a realização de exercícios físicos dirigidos
para melhoria no preparo dos músculos utilizados durante
o trabalho, da mesma maneira que o atleta faz o "aquecimento
e alongamento" antes do esporte – o princípio
é o mesmo.
BoaSaúde:
Quais seriam as descobertas mais recentes sobre exercícios
e o equilíbrio mental?
Dr. Monteiro: O Ocidente está descobrindo agora o que o Oriente
faz há milênios, ou seja, o uso de técnicas
próprias tipo Tai Chi Chuan e outras para a harmonização
interior.
Sugestões
para a Prática da Atividade Física
De
acordo com o Prof. Tony Meireles dos Santos, do Center for Desease
Control (1996), algumas sugestões para a prática da
atividade física, bastante úteis para quem deseja
beneficiar-se delas e, com isso, alcançar mais saúde,
de uma forma geral, e, especificamente, um estado maior de equilíbrio,
inclusive mental.
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Para iniciar sua atividade com mais segurança, consulte um
médico e um professor de educação física;
- Escolha as atividades que você realmente goste;
- Selecione horários e opções compatíveis
com seu estilo de vida;
- Nos primeiros meses, objetive valores como prazer, sucesso na
realização das atividades, satisfação
pessoal etc.;
- Incorpore a atividade física ao seu dia a dia: ande mais
a pé, suba mais escadas, pratique mais esportes etc.;
- Se possível, selecione as atividades que possam ser realizadas
com seus amigos e/ou família.
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